Você acorda determinada. Toma o café sem açúcar, sai de casa com a intenção de comer bem o dia inteiro. Às 22h, está de pé na cozinha, comendo direto do pote, sem fome física nenhuma, só um vazio pedindo alguma coisa.
Isso não acontece por falta de força de vontade às 22h. Acontece porque a decisão da manhã foi tomada pela mente consciente, e a ação da noite foi tomada por outra parte do cérebro, a que opera no automático, a mesma que dirige o carro no caminho de casa enquanto você pensa em outra coisa e chega sem lembrar do trajeto.
Você come com o celular na mão, respondendo mensagem de trabalho, e dez minutos depois não lembra o gosto do prato. Sobe na balança de manhã e o número decide se o seu dia vai ser bom ou ruim antes mesmo de você escovar os dentes.
Já testou receitas, cardápios, aplicativos de contagem, programas inteiros de mudança de comportamento. Alguns funcionaram por algumas semanas. Nenhum sustentou, porque nenhum trabalhou o espaço entre o impulso e a ação, só o que estava no prato.
O que fica, ano após ano, é a sensação de estar sempre um passo atrás do próprio corpo, recomeçando toda segunda-feira algo que devia ter sido resolvido há muito tempo.